sexta-feira, 13 de março de 2015

Introdução

Era uma tarde fria no sudeste brasileiro. As nuvens negras no céu assustavam quem as olhava. Um vento forte trazia terra vermelha consigo e levava a esperança de dias melhores. Eu estava sozinho em casa, novamente, como todas as outras tardes antes daquela no último mês. Um misto de liberdade e apreensão tomava conta de mim. E isso nada tem a ver com o vento ou a tempestade que estava por vir.

Eu acabara de me mudar. Mudar de cidade, de vida, de trabalho, de visão de mundo. Não fazia muito tempo que eu havia decidido empreender. A vida como empregado no mercado convencional não era pra mim. Nunca foi. Nunca consegui viver dentro de uma caixa, cheio de regras, sem poder sentir o vento bater no rosto, sem poder arriscar, criar, ousar, me mostrar.

Era o que eu pensava.

Lembro-me claramente do momento que ela chegou em casa. Sim, eu não era tão sozinho assim. Eu tinha uma esposa. Tinha. Do verbo não tenho mais. Sempre que eu digo isso me perguntam porque não deu certo. E, pra ser bem sincero, talvez eu não tenha dito isso a ninguém, a não ser agora, pra você: o motivo foi eu viver numa caixa. Logo eu te falo mais sobre isso. Vamos nos ater ao momento em que ela chegou em casa.

Ela chegou como todas as outras noites antes daquela no último mês. Sim. À noite. Por volta das 20h. Eu era casado com uma grande cientista, que na época era só uma mestranda na Universidade Federal de São Paulo. Ela saía pela manhã, por volta das 8h. E só voltava à noite, por volta das 8h. Especificamente naquela noite uma tristeza profunda a afogava os olhos. Não dava pra saber exatamente porque. Mas eu sabia que era comigo.

Para que você entenda melhor o que eu quero dizer, precisamos voltar um pouquinho na história. Nós nos casamos jovens. Ela com 20, eu com 21. Entre nos conhecermos, namoro e casamento foram apenas 10 meses. Ela não estava grávida e ninguém nos obrigou a casar, não éramos religiosos. Casamos por amor. Pra ser bem franco, os dois queriam sair de casa. Unimos isso à vontade interminável de permanecermos juntos todas as noites quando eu tinha que ir embora depois da faculdade e resolvemos nos casar quando tínhamos apenas 1 mês de namoro. Era 13 de maio de 2010. Nos casamos em 21 de dezembro do mesmo ano.

Até setembro eu não tinha um emprego, não tinha negócio, não tinha nada. Ela deveria saber que não estava se casando com um homem convencional. Mas como mulher não-convencional, ela topou o desafio. Como a vontade de estar com ela era maior que minha aversão ao trabalho como empregado, fui dar aulas num colégio público da nossa cidade.

Nos casamos, ela estava … incrível-perfeita-divina-sem-palavras-para-descrever-de-tão-linda. Se ela permitir, você vai poder ver uma foto dela aqui, nesta página (ou na do lado). E, apesar da renda pequena que tínhamos, vivíamos bem. Eu não negava nada a ela. Meu pai, antes do meu casamento, numa daquelas conversas de pai para filho na qual o pai ensina tudo que sabe sobre casamento para o filho, me disse que eu não deveria tirá-la de casa para dar menos que o pai dela dava a ela. Aquilo foi como o primeiro mandamento do casamento pra mim. E assim eu fiz. E me desdobrei pra fazer. Dava aulas pela manhã na escola, aulas particulares a tarde, faculdade a noite e, aos finais de semana, era cinegrafista freelancer em casamentos. Nós nos divertíamos. Foram tempos realmente felizes. Eu não me importava de viver naquela caixinha trabalho-trabalho-faculdade-casamento-diversão. Eu me sentia o dono do mundo: fazia feliz a pessoa mais importante da minha existência.

A verdade é que nem tudo são flores. E um dia algo aconteceu para que realmente você estar aqui lendo esse livro tenha algum sentido. Eu sofri um acidente de moto, quebrei a tíbia e a fíbula direitas, fiquei três meses sem andar, 6 sem poder andar normalmente e ainda tivemos que nos mudar para a casa da minha mãe.

A partir daí, tudo que nos incomodava, mas que era ignorado devido à nossa quase-perfeita vida a dois, começou a surgir. E os demônios que a nós habitavam foram, aos poucos, tomando o controle.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sobre leveza

Frederico, ou fred para os mais íntimos, era uma rapaz difícil de descrever. Mas tinha uma característica que se destacava na sua personalidade: era velho demais pra sua idade.
Madalena, moça inteligente, arrojada, era extrovertida e adorava as coisas simples da vida.

Um dia se conheceram, Fred e Madá, pelo acaso de um destino em comum. E se apaixonaram, perdidamente, sem perceber, no espaço de 1 segundo.

O problema era que Fred levava a vida a sério demais e Madá queria viver.

Aos poucos, foram se ajeitando. E acabaram dando certo.

Madá se tornou mais séria. Fred achou que precisava viver.

E foi assim que deixaram de ser.

As lições que Fred levou: "Seja mais leve. Não tente entender tanto as coisas. Não julgue. Não oprima. Não tente educar. Não seja sincero demais, afinal, a verdade é relativa. Não tente encontrar o problema, olhe para a solução. Sorria mais. Brinque mais. Arrisque uma surpresa mesmo que ela não goste. Faça diferente! (todos os dias). Surpreenda sempre. Não espere receber algo em troca. Não faça as coisas para receber algo em troca. Tente o novo. Seja ousado. Tenha atitude. Tenha opinião, mas não deixe que ela seja a única a prevalecer. E faça de tudo para que a outra pessoa tenha motivos para sorrir."

Se você quer ser feliz, seja mais leve.

Seja leve como um balão. O vento pode te levar,
mudar seu rumo, te levar para lugares que você não
esperava. Mas você não terá o peso de ter deixado
a vida passar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Dancing at the end


Foi num dia chuvoso, como todo clichê, que nos conhecemos. Ela vestia rosas coloridas estampadas num vestido longo de malha amarela. Seus olhos eram como verdes esmeraldas que traziam um brilho que eu não tinha mais. A primeira palavra foi um olá, acompanhado do sorriso sincero de quem não tem o que esconder. Conversamos por alguns minutos, senti a simplicidade de seus dizeres como uma música de melodia suave. Mas era preciso ir embora.

Sem saber onde estava, observei as estrelas no caminho para casa. Me sinto confortável em ouvi-las dizer o que penso. Como quem viaja em pensamentos, planei sobre os ares e me encontrei com as nuvens, que não eram muitas naquele dia. A suave melodia, que ainda sentia me alcançar, não me deixava entender o que elas diziam pra mim. Num leve tropeço caí e me perdi por não saber se queria ir ou ficar.

Ouvi batidas fortes, como as de um bumbo de bateria francesa. O som parecia se aproximar muito rápido. Com medo, não conseguia me mover. Pra mim não havia mais jeito. Guitarras solavam, acordeons bufavam, pianos de calda pulavam. E quando achei que ia morrer, abri os olhos. Ela ainda estava lá.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Diariamente

Acordei um dia
sem pensamentos
perdida em lamentos
de um amor que acabou.

Acordei outro dia
envolvida em seus braços
que pareciam dois laços
consagrando o amor.

E num outro dia qualquer
dormi pensando...
sonhei ser tua mulher

e a noite envolveu-me.
perdi-me no tempo.
acordei mais um dia.

Senti-te ao meu lado,
corri desolada,
aos prantos, molhada,
pensei no terraço.

Acordei outro dia
num lugar escondido.
a luz brilhava,
ofuscante,
até pensei ter morrido.

Descobri-me louca
de andar por aí, sem destino,
e acordei na sombra,
de um outro dia, sorrindo.

Dormi outro dia
com você ao meu lado.
Meus olhos fecharam
e minhas meninas,
há muito privadas,
não queriam mais ficar,
correram de meus olhos
evacuaram o lugar.

Poema meu dos antigos. Achei na net.
Alterego feminino. Se o Chico Buarque pode, por que eu não?
Essa da foto é a Cris. Tirei num espetáculo de Teatro do Colégio Dinâmico.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ela nasceu sem ver
pois a luz a cegava.
Ela nasceu sem saber
o que no mundo a esperava.

E quando pode parar
olhar.
sorrir.
Sentiu o ar que a continha

Na relva deitou-se
Sob o céu repousou
Banhada em luar
sem nada esperar
seu destino abraçou.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Happy New Year!

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra
vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tire uma foto minha
Guarde na lembrança
Não se sabe o dia de amanhã
Acorde para a vida
Tenha esperança
Outras direções não fazem tão mal assim
Seus olhos dizem a verdade
Mas seus lábios mentem
Acorde!
A vida quer de você o melhor que puder dar.
Não pense que o ontem é o mais importante
Ou que o sol vai aparecer para sempre.
A vida é agora.
(cb)
19/04/11