sábado, 21 de novembro de 2009

"Não fazia idéia do que teria acontecido para estar se sentindo daquele jeito. Talvez seria a cor cinzenta do dia que passava lentamente. Mas já acordara assim e ainda nem era dia. Então poderia ser algo vivido na noite anterior. O sentimento era escuro.

Cara fechada. Foi essa a expressão durante todo o tempo. Estava irritado, aparentemente sem motivo. Mas sabia que, no fundo, algo tinha mexido com seu interior. Talvez um bom vinho pudesse ajudar.
Foi o que fez. Saiu às 17h, foi a uma adega próxima à sua casa num setor nobre da cidade e comprou um vinhozinho qualquer. Tinto de mesa suave, como era de seu agrado. Sentou-se à beira de um lago num parque da cidade. O céu começava a mudar de cor. O cinza dava lugar ao crepúsculo. Fazia frio naquele fim de tarde.
Só o que ele queria era apagar um pouco da memória, um pouco da culpa, um pouco de cada coisa ruim. Deixaria somente as coisas interessantes e uteis, e as coisas que realmente fizeram sentido em sua vida. Pensou: 'As coisas que são difíceis não são fáceis'.
O vinho já começava a fazer efeito. Seu humor foi se alterando.
Seria esse o segredo?
Talvez se conseguisse programar seu cérebro para estar sempre "bêbado"...
Talvez seria essa a solução.
Foi o que fez.
Às vezes as pessoas o veem como insano. Mas gostam da sua companhia.
A insanidade nos torna mais corajosos para fazer o que sempre tivemos vontade."

terça-feira, 29 de setembro de 2009

(In)compreensão.


Palavra não entendida
de dorso longo
de pele macia
que perfura o norte:
fugaz.

Canta-me uma canção
velha conhecida.

Torce o tambor:
vermelho.
Engana a quem quer que seja.

Incompreendida.

Só o tempo pode explicar.

Chrystian Borges
29/09/09

domingo, 22 de março de 2009

Ah, como eu queria
que o amor fosse
sempre assim.
De poder fazer tudo.
De sentir-se o mais poderoso do mundo.

Queria que o amor fosse,
sempre,
como a gente sente de vez em quando:
inigualável sensação de magia.

Se o amor fosse sempre assim,
De morder uma nuvem,
De sair do vazio,
Sem briga e nem discussão,
sem ciúme,
sem compromisso.
Se ele fosse só de sentir,
não de falar.
Só de ouvir,
não de pensar.

Aí sim eu não precisaria mais de nada.
Se eu sentisse aquele amor
Que eu sinto na lembrança
Assistindo aquele vídeo
Tomando aquele sorvete
Ouvindo aquela música
Sonhado com amanhã.

Aí o amor seria, então,
como cantam os poetas.
E eu estaria completo.

Não me entristeço
em pensar que ele não é assim
pra mim.
Gosto de pensar
que ao sonhar
você pode fazer isso por mim.

O amor é essa coisa louca
que aquece os tornozelos.
É uma noite longa que não tem mais fim.

Chrystian Borges
22/03/09

domingo, 12 de outubro de 2008

Um texto do Chaplin

(pelo menos dizem que o é)


"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite.
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus.
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.
Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
Tudo depende só de mim."

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

"O importante é que o suor escorreu, o sangue circulou e você fez. Você fez o impossível!"

sábado, 20 de setembro de 2008

Mudanças

Resolvi mudar. E espero, do fundo do coração, que essa vez não seja como as outras. Já ouvi tantas vezes essa mesma frase de mim mesmo, e as mesmas tantas vezes me vi esquecer todas aquelas idéias mirabolantes de ser diferente. Quero que dessa vez eu consiga cumprir as promessas, consiga colocar em prática os planos, consiga estabelecer metas e, principalmente, alcançá-las. Normalmente fazemos essas mudanças na virada do ano, época em que todo mundo quer melhorar o que fez no ano anterior. E, na maioria avassaladora dos casos, não cumprimos nada do que prometemos.

Por isso, e por 'n' outras coisas, resolvi mudar agora. Sei que mudanças não ocorrem assim, da noite pro dia. Não vou acordar amanhã muito diferente do que vou dormir hoje. Mas espero que tudo dê certo.
O que sei é que mudar eu vou. Mudar o curso da vida. Mudar o jeito de sorrir, o jeito de andar, o jeito de vestir, o jeito de namorar, o jeito de estudar, o jeito de pensar, o jeito de acordar, o jeito de prestar atenção. Prestar atenção. Principalmente nisso eu vou mudar. Quero ver cada pixel que me ronda. Quero sentir cada cheiro que me encanta. Quero ouvir cada som que a mim chega. E fazer tudo isso com atenção. Quero sentir tudo que a vida tem pra me dar.
Mas por que mudar assim, tão drasticamente?
Preciso cuidar de mim.
Estou, aos poucos, "me matando a mim mesmo". Estou me sentindo (e agindo como um) velho. Ranzinza. Não ando sentindo muito sabor na vida. A partir de agora, quero dela o máximo. E de mim também. Quero trazer todas as promessas (que valham a pena) deixadas de lado, todos os planos (que valham a pena) traçados e que, por "falta de punho", foram abandonados como velhos papéis sem utilidade.
Quero da minha vida o avesso, pois faltará vida do lado certo.
E que venha o amanhã.

sábado, 6 de setembro de 2008

5º Capítulo

"A noite foi muito longa naquela véspera. Logo que conversamos com a senhora, dona da casa, fomos para o imóvel alugado. Essa era a parte boa. Não dormiriamos na Kombi. Paramos na porta da casa, que ficava num beco escuro que dava em dois pontos importantes da cidade: as duas praças mais famosas. De frente para ela tinha uma viela que desembocava, uns 200 metros a frente, num beco atrás da Igreja que dormimos, na porta, na noite anterior. A casa tinha uma arquitetura bem rústica. Umas pilastras em forma de "chifres" formavam a fachada, algumas alongadas, algumas retorcidas. A entrada era por um portãozinho de ferro com espetos em cima que dava num corredor longo com algumas escadas (a casa era uns dois metros acima do nível do solo). A porta da sala estava a uns cinco metros do portãozinho e continuando-se no corredor, encontrava-se um quintal com uma área coberta e outra descoberta. Entrando pela sala, que tinha dois sofás pretos (um de dois lugares e outro de três) e uma televisão vinte polegadas, à esquerda ficavam os quartos, que eram dois: um logo após a sala e o outro, com suíte, depois de um corredor em formato de cômodo "quebra-galho" ( serve para o que precisar). O último quarto dava para a rua numa janela de madeira empenada. À direita, pela sala, tinha mais outro quarto, e depois uma cozinha subindo alguns degraus. Na cozinha, perto da porta que dava para o quintal, tinha um banheiro com chuveiro (de água fria) e tudo.

Inicialmente a casa estava bem escura. A única luz acesa era uma que ficava logo na entrada, no corredor. Pedi ao Pedro que fosse na frente (sempre fui muito medroso), mas ele também ficou com medo. Tivemos que ir juntos. Abrimos a porta, que rangia muito assustadoramente, lentamente. A primeira coisa que fizemos ao adentrar a casa foi procurar um interruptor para acender a lâmpada. Nos acomodamos. Ligamos a televisão. Fomos comer. O Pedro usou sua experiência na cozinha (teve que aprender a cozinhar para sobreviver, mora sozinho desde os 15 anos) para nos preparar uma deliciosa pizza, esquentada no microondas, daquelas que se compra no supermercado. Comemos como se fosse a última coisa que faríamos na vida. Era como se estivéssemos sem comer há dias. Só uma não foi suficiente. Fizemos mais duas. E, no final, sobrou um quarto da pizza de quatro queijos (já haviamos comido uma de Frango com Catupiry e outra de Calabresa). Com a barriga cheia e bem acomodados era só esperar o novo dia chegar. Tomei um banho, depois ele. Fomos deitar. Escolhemos o quarto com a suíte e dormimos no mesmo cômodo, em camas diferentes. O medo era maior que a quantidade de quartos da casa. Era perto de meia noite quando apagamos as luzes para tentar dormir. Ventava muito naquela noite. E, mesmo com a janela fechada, entrava um vento forte e frio por uma fresta que se abrira num lugar que eu nunca descobri onde. O vento entrava e batia diretamente na primeira cama logo que se entrava no quarto. Por isso a escolhi. Sou extremamente calorento.
Começamos a conversar, como de costume, e estávamos tão cansandos que não demorou muito para pegarmos no sono. Ele primeiro que eu, pra não largar a rotina. No meio da noite eu acordei meio sem saber onde estava. O quarto não era tão escuro, por conta da janela empenada, então foi fácil me situar. Achei, então, que iria conseguir voltar a dormir logo. Santa ilusão. As coisas começaram a desandar. Sentia que havia alguém perto de mim, me olhando, mas não via ninguém. Quando fechava os olhos sentia a pessoa chegando mais perto, como se estivesse só esperando eu dormir para me atacar. Isso me deixava imóvel. Havia sentido isso poucos vezes na minha vida. Da última vez, fiquei uma semana dormindo de luz acesa. Era extremamente chata aquela sensação. Toda hora eu tomava um susto. E o pior é que eu sabia que estava acordado, pois ouvia o Pedro roncando (e como roncava o menino). Não tive coragem de olhar as horas quando acordei, mas devia ser por volta de três da manhã. Só sei que quando consegui dormir de verdade o sol já estava nascendo. Sorte minha que o Pedro não tem o costume de acordar cedo. Dormimos até meio dia. Acordei desesperado por causa da hora. Tínhamos que ter começado a arrumar as coisas às nove e meia. Quase três horas de atraso. Levantei correndo. Gritei o Pedro. Estávamos prontos pra começar às treze. Será que daria tempo de fazer tudo? Ou teríamos que esperar mais um dia interminável naquela cidade? Ou seria melhor desistir de tudo? Mas não dava pra desistir, já tínhamos investido um bom dinheiro naquilo. O jeito era correr atrás do tempo e botar pra quebrar. Foi o que fizemos..."