sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sobre leveza

Frederico, ou fred para os mais íntimos, era uma rapaz difícil de descrever. Mas tinha uma característica que se destacava na sua personalidade: era velho demais pra sua idade.
Madalena, moça inteligente, arrojada, era extrovertida e adorava as coisas simples da vida.

Um dia se conheceram, Fred e Madá, pelo acaso de um destino em comum. E se apaixonaram, perdidamente, sem perceber, no espaço de 1 segundo.

O problema era que Fred levava a vida a sério demais e Madá queria viver.

Aos poucos, foram se ajeitando. E acabaram dando certo.

Madá se tornou mais séria. Fred achou que precisava viver.

E foi assim que deixaram de ser.

As lições que Fred levou: "Seja mais leve. Não tente entender tanto as coisas. Não julgue. Não oprima. Não tente educar. Não seja sincero demais, afinal, a verdade é relativa. Não tente encontrar o problema, olhe para a solução. Sorria mais. Brinque mais. Arrisque uma surpresa mesmo que ela não goste. Faça diferente! (todos os dias). Surpreenda sempre. Não espere receber algo em troca. Não faça as coisas para receber algo em troca. Tente o novo. Seja ousado. Tenha atitude. Tenha opinião, mas não deixe que ela seja a única a prevalecer. E faça de tudo para que a outra pessoa tenha motivos para sorrir."

Se você quer ser feliz, seja mais leve.

Seja leve como um balão. O vento pode te levar,
mudar seu rumo, te levar para lugares que você não
esperava. Mas você não terá o peso de ter deixado
a vida passar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Dancing at the end


Foi num dia chuvoso, como todo clichê, que nos conhecemos. Ela vestia rosas coloridas estampadas num vestido longo de malha amarela. Seus olhos eram como verdes esmeraldas que traziam um brilho que eu não tinha mais. A primeira palavra foi um olá, acompanhado do sorriso sincero de quem não tem o que esconder. Conversamos por alguns minutos, senti a simplicidade de seus dizeres como uma música de melodia suave. Mas era preciso ir embora.

Sem saber onde estava, observei as estrelas no caminho para casa. Me sinto confortável em ouvi-las dizer o que penso. Como quem viaja em pensamentos, planei sobre os ares e me encontrei com as nuvens, que não eram muitas naquele dia. A suave melodia, que ainda sentia me alcançar, não me deixava entender o que elas diziam pra mim. Num leve tropeço caí e me perdi por não saber se queria ir ou ficar.

Ouvi batidas fortes, como as de um bumbo de bateria francesa. O som parecia se aproximar muito rápido. Com medo, não conseguia me mover. Pra mim não havia mais jeito. Guitarras solavam, acordeons bufavam, pianos de calda pulavam. E quando achei que ia morrer, abri os olhos. Ela ainda estava lá.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Diariamente

Acordei um dia
sem pensamentos
perdida em lamentos
de um amor que acabou.

Acordei outro dia
envolvida em seus braços
que pareciam dois laços
consagrando o amor.

E num outro dia qualquer
dormi pensando...
sonhei ser tua mulher

e a noite envolveu-me.
perdi-me no tempo.
acordei mais um dia.

Senti-te ao meu lado,
corri desolada,
aos prantos, molhada,
pensei no terraço.

Acordei outro dia
num lugar escondido.
a luz brilhava,
ofuscante,
até pensei ter morrido.

Descobri-me louca
de andar por aí, sem destino,
e acordei na sombra,
de um outro dia, sorrindo.

Dormi outro dia
com você ao meu lado.
Meus olhos fecharam
e minhas meninas,
há muito privadas,
não queriam mais ficar,
correram de meus olhos
evacuaram o lugar.

Poema meu dos antigos. Achei na net.
Alterego feminino. Se o Chico Buarque pode, por que eu não?
Essa da foto é a Cris. Tirei num espetáculo de Teatro do Colégio Dinâmico.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ela nasceu sem ver
pois a luz a cegava.
Ela nasceu sem saber
o que no mundo a esperava.

E quando pode parar
olhar.
sorrir.
Sentiu o ar que a continha

Na relva deitou-se
Sob o céu repousou
Banhada em luar
sem nada esperar
seu destino abraçou.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Happy New Year!

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra
vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tire uma foto minha
Guarde na lembrança
Não se sabe o dia de amanhã
Acorde para a vida
Tenha esperança
Outras direções não fazem tão mal assim
Seus olhos dizem a verdade
Mas seus lábios mentem
Acorde!
A vida quer de você o melhor que puder dar.
Não pense que o ontem é o mais importante
Ou que o sol vai aparecer para sempre.
A vida é agora.
(cb)
19/04/11

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sua contribuição

“Que cada cidadão apresente sua contribuição mínima à paz, todos os dias. Que cada mulher, homem e criança ore pela paz do planeta, que procure sanar seus próprios focos de desarmonia em casa, no ambiente de trabalho, nos círculos acadêmicos, na via pública. Que os conflitos sejam dirimidos, por meio da busca da confraternização, da transcendência do confronto de interesses, por um espírito de cooperação mais amplo, que englobe as necessidades de todos. Isso deve se tornar hábito no dia a dia, a fim de que se espraie uma psicosfera de paz, como uma bendita epidemia de otimismo, de amor, de esperança, de felicidade. Pequenos gestos de fraternidade: um olhar afetuoso, um aperto de mão, um minuto de atenção, um abraço, um telefonema amistoso, um e-mail gentil, uma carta terna podem fazer milagres, em efeito dominó, sobretudo quando realizados sistematicamente e a partir da iniciativa de uma massa de pessoas, ao mesmo tempo.
Que o leitor comum que nos lê não menospreze seu poder de ação, por julgar muito diminuta sua possibilidade de contribuição para o problema global. O paradigma holográfico, o novo parâmetro filosófico das ciências, diz que não só a parte está no todo, como o todo está na parte. Gandhi disse certa feita: um único homem que se converta ao verdadeiro amor pode aplacar o ódio de milhões. A transformação genuína e profunda de uma pessoa pode ter efeitos extraordinários, em cadeia, em torno de seus passos, afetando milhares de outros corações. Sem perceber, por vias diretas ou indiretas, cada ser humano tem um poder de influência sobre milhares de almas, encarnadas e desencarnadas, todos os dias. É muito importante que o homem e mulher comuns tenham bastante consciência desse seu poder excepcional, quase sempre ignorado, tanto de fazer o bem, como de promover o mal, até mesmo por sua negligência. Como disse Jesus: o Reino dos Céus está dentro de Vós. Essa passagem dos Evangelhos pode perfeitamente ser aplicada para essa reflexão. O Reino de Deus não se implantará na Terra por meio de decretos ou iniciativas econômico-sociais, mas pela transformação verdadeira dos valores, da forma de interpretar e de sentir o mundo de cada ser humano, o que terá efeitos diretos em sua conduta e em sua interação com outros seres humanos. Nesse busílis é que se dará a verdadeira e definitiva revolução: no coração de cada habitante do planeta.”
Anacleto, do grupo Salto Quântico.
Link: http://www.saltoquantico.com.br/2001/09/15/consulta-a-anacleto-06-tema-a-crise-internacional/

retirado do Blog do João

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ode ao passado findo.

Então coloquemos uma pedra.
Ou melhor, uma rocha...
Uma montanha,
Um planeta ou o universo inteiro.
Melhor ainda: que seja engolido por um buraco negro.

Não interessa o que passou.
O tempo findo.
Não quero mais saber de outrora.

Que a aurora do agora é o que me atrai.
Pois o sol não vai embora quando a chuva cai.

Morte ao passado ultrapassado que passou.
E que venha o futuro, mais que esperado.
O futuro de um presente perpassado.
Que na hora do fracasso, superou.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Quero(,) amor,
um pouquinho de atenção.
Um carinho,
um abraço,
um beijo,
um amasso,
Quero te atravessar o mastro
até furar o colchão.

Que amor,
que calor,
que furor,
que aquele meu torpor todo foi embora.

Me acorda.
Sacode a alma.
Ingrata.
Quero te acolher em mim, minha amada.

E que agora,
viva em mim,
torna-te parte integrante de mim.

Mas me deixa fora de Alcatraz.
Pois de lá sou o CEO.

Agora, amor,
eu tenho uma missão.
E que eu veja o clarão.
E que me venha o bujão, o fogão e a televisão.

O que me espera é o mar.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Agora é como escutar uma música calma ao longe.
O céu está mais azul.
E a música vai me deixando tranquilo, aos poucos.

Uma batida leve.
Sinto o vento tocar o rosto.
Meus dedos tem vontade de dançar,
Sinto meu corpo levitar.

Dizem que sou louco.
Por sentir assim.
Mas, agora, eu sou feliz.

E a sensação é de que,
Sempre,
escutarei aquela música a me acalmar.

Agora o que eu quero
Não é pensar no pior.
Eu sinto o melhor.
Ele vem a mim.

Estou tranquilo.
E a música a tocar.
Estou em paz.

Fecho os olhos.
Meu corpo obedece às batidas da canção.

E o que eu quero agora é sentir seu coração.
Descobrir o que quer.
Atender aos seus desígnios.
Entender seus devaneios.
E acordar ao seu lado todos os dias.

Until the end of life.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O anoitecer frio
nem sequer me reprime.
Ao contrário,
Traz seu abraço que me conforta.

E eu que era tão certo.
Eu que falei "nem pensar".

Tenho sorte.

Sou incerto como uma equação no infinito.
E me surpreendi.
Mais uma vez.

O sol que antes aquecia,
não trás o mesmo calor.

"Hoje fez frio ao amanhecer",
Foi o que me disseram.
E eu nem me lembro quando o senti pela última vez.

E, como um ímã, o calor ficou no metal.
Que aos poucos amolece.
E por pouco não se esquece,
De evitar o trivial.

"Você é meu número".

"E eu...
Eu serei sua(!) vida".

quinta-feira, 18 de março de 2010

Dons, sobre (os) naturais

O que dizer de uma criança de 2 anos que acorda no meio da noite chamando os pais porque quer conversar sobre o império romano? Acha impossível que isso aconteça? Pois aconteceu com um garoto na Europa. A mídia já disse logo que o menino era um gênio e chegou a compará-lo a Einstein.
Realmente, deve ser levado em consideração que o cérebro do garoto é diferente do das crianças ditas "normais". Ele é bem mais desenvolvido. Mas o que aconteceu para haver essa discrepância enorme?
Quando questionado sobre o que queria de natal, emocionado, disse o menino que queria um amigo pra conversar. Afinal, que criança quer conversar? Ainda mais sobre questões históricas e/ou filosóficas...
Tendo em vista que a ciência explica, mas não convence, surgem as explicações religiosas para indagações como as seguintes: Será que todo esse conhecimento vem de uma vida passada? Se vem, como ele consegue lembrar disso? Por que o raciocínio lógico dele é tão rápido e incrivelmente correto? Entre outras...
O Espiritismo, baseado nas experiências de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, com a ajuda de vários médiuns, mesas giratórias e espíritos superiores, diria que isso é fruto da reencarnação. Com toda a certeza!
Mas, como indagou meu amigo João quando falou da reencarnação em seu blog, se a reencarnação existe, por que não lembramos nitidamente de nossas vidas passadas? Questão complicada.
Pelo dito até agora, podemos até não lembrar nitidamente das nossas vidas passadas, mas trazemos conosco a experiência que nos foi agregada. E quando sentimos a "intuição" podemos estar nos baseando em experiências anteriores (tanto dessa vida como de outra). A intuição é sim um forte indício da reencarnação.
Pensemos na nossa vida hoje: nas suas atitudes do dia a dia, você toma decisões sem se basear em experiências anteriores? Eu espero que não. No meu caso, sempre penso no que já vivi para saber qual será o próximo passo. Porém, por diversas vezes, não sei "onde vou pisar", mas "algo me diz" que eu posso ir. E vou, me sentindo seguro. Isso implica que eu já vivi aquela experiência (ou uma parecida) anteriormente. Se não foi nessa vida, só pode ter sido em outra... Então, eu acabo por me lembrar do que vivi e me baseio nisso para viver agora.
Por outro lado, se lembrássemos nitidamente daquilo que vivemos em outras vidas, talvez não houvesse a evolução tão desejada por nós (espíritos e homens). Pois, talvez, acharíamos que já sabemos demais ou hesitaríamos em dar um passo a diante.
Sei que minha sensibilidade para essas coisas anda apurada nesses últimos dias. E isso mexe comigo. Tenho tentado entender. Mas como é complicado esse (meu) universo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

"Sozinha ela corria pela rua ainda de pedra da antiga cidade. Os lustres século XVII deixavam-na com ares sombrios. Sentia um aperto no peito. Um aperto de amores. Passados ou que estavam por vir? Não sabia.
Sentia que precisava correr. Mais rápido.
Escutava uma melodia harmoniosa que lembrava o som de um acordeon.
A música a tranquilizava e a fazia correr mais.

Subia uma ladeira que parecia não ter fim. As janelas das casas estavam fechadas. O verniz das portas e janelas e a tinta das paredes estavam novos. O cheiro ainda adentrava às narinas sufocante.

Era noite sem lua. E foi sem saber o motivo que ela correu.
Chegou ao pico do morro onde ficava a igreja. 227 degraus. Parou por um instante. Olhou ao redor. Da porta da igreja se via toda a cidade, pensou. Pos-se a subir.

Ao chegar ao topo sentiu um alívio. Olhou a cidade. Um jovem rapaz, com alguma barba, pele branca, olhos verdes e cabelo ondulado sobre um dos olhos, tocava um acordeon suave. Ela sentia os acordes penetrarem seus ouvidos e alcançarem o âmago. E então dançou. Deixou-se levar pelo som. Um pouco de timidez no começo. Mas não se conteve.
Sentiu.
Se libertou.
Não saberia explicar tal sensação.

E, como se fosse delirar, suspirou.

Já era hora de se entregar".